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IA na redação: o que pode e o que não pode fazer

Revisar, resumir, sugerir títulos e adaptar para as redes, sim. Inventar fatos, aspas e fontes, nunca. Um guia prático para usar inteligência artificial na redação sem perder a credibilidade.

Jimmy MacedoJimmy Macedo 4 min de leitura

A inteligência artificial já está nas redações, com ou sem política escrita: alguém revisa um texto no ChatGPT, outro pede um título, outro transcreve uma entrevista. A pergunta não é mais se a redação vai usar IA, e sim como usar sem colocar em risco o que o jornalismo tem de mais valioso, a credibilidade.

Este guia separa o que a IA faz bem, o que ela não deve fazer e como transformar isso em regra da casa.

O que a IA faz bem

A IA rende mais quando trabalha a partir de um texto que a redação já apurou e escreveu. Alguns exemplos:

  • Revisão: ortografia, concordância, pontuação, repetição de palavras.
  • Resumo: o lead para a capa, a linha fina, o resumo para quem tem pressa.
  • Títulos alternativos: opções para o portal, para o Google e para as redes, do mais direto ao mais curioso.
  • Organização: sugerir intertítulos, tags, categorias.
  • Adaptação para as redes: transformar a matéria em carrossel, roteiro curto ou legenda no tom de cada rede.
  • Transcrição: converter o áudio de uma entrevista em texto, para a redação conferir.

Nesses usos, a IA economiza tempo em tarefas repetitivas e deixa a equipe livre para o que nenhuma máquina faz: apurar, checar, ouvir pessoas.

O que a IA não deve fazer

  • Inventar fatos, números, aspas ou fontes. Modelos de linguagem podem “alucinar”: produzir com toda a segurança uma informação que não existe, até com citação e link falsos.
  • Publicar sem revisão humana. Tudo o que sai com o nome do veículo passa pelo olho de uma pessoa da redação.
  • Apurar. A IA não liga para a fonte, não vai ao local, não confere documento.
  • Criar imagem realista de fato jornalístico. Uma foto gerada por IA que parece real, num contexto de notícia, engana o leitor. Ilustração deve ser identificada como ilustração.
  • Decidir a linha editorial. O que é notícia, o que se publica e como se trata cada assunto é decisão da redação.

Os riscos que pedem atenção

Erros com cara de verdade

O texto gerado por IA costuma ser fluente, e é justamente isso que engana. Um nome trocado, uma data errada ou um número arredondado passam despercebidos numa leitura rápida. Revise sempre comparando com a matéria original.

Dados pessoais e fontes

Colar uma entrevista com dados de uma fonte sigilosa numa ferramenta pública pode expor essa pessoa. Pela LGPD, a redação responde pelo tratamento dos dados que coleta. Prefira ferramentas com contrato e regras claras sobre o que acontece com o que você envia.

Direitos autorais

Pedir para a IA “reescrever” a matéria de outro veículo continua sendo aproveitar o trabalho dele. Use IA sobre o seu próprio material.

Transparência com o leitor

Quando a IA teve papel relevante no conteúdo, diga isso ao leitor. Um aviso simples protege a confiança.

Como montar a política da redação

Uma política de uma página já resolve a maior parte das dúvidas. Ela deve dizer:

  1. quais usos estão liberados (revisão, resumo, títulos, adaptação para redes);
  2. quais estão proibidos (inventar conteúdo, imagem realista de fato, publicar sem revisão);
  3. quem revisa e aprova o que a IA produziu;
  4. quais ferramentas podem ser usadas e o que nunca deve ser colado nelas;
  5. quando e como avisar o leitor.

Revise a política a cada seis meses: as ferramentas mudam rápido.

Checklist antes de publicar com ajuda da IA

  • Todos os nomes, cargos, números e datas foram conferidos com a apuração?
  • Toda aspa existe e foi dita por quem está creditado?
  • Nenhuma informação nova apareceu no texto sem ter vindo da apuração?
  • O título não promete mais do que a matéria entrega?
  • Uma pessoa da redação leu tudo antes de publicar?

Como a Fabiola foi pensada

A Fabiola, a IA da redação dos portais fooba.studio, segue essas regras por desenho. Ela trabalha só a partir do texto que a redação escreveu: revisa, resume, sugere títulos e tags, monta o carrossel e escreve a legenda. Mostra tudo antes de aplicar, nunca publica sozinha e é orientada a não inventar fatos, números ou falas. E vem ligada no portal, sem conta de IA para a redação contratar ou configurar.

Veja como ela funciona na página da Fabiola, ou como a matéria vira conteúdo para as redes em redes sociais com IA.

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