Pular para o conteúdo

LGPD para portais: o que o banner de cookies precisa ter

Aceitar e rejeitar com o mesmo peso, nada marcado por padrão, scripts bloqueados até o aceite e registro da escolha: o checklist do banner de cookies de um portal de notícias.

Jimmy MacedoJimmy Macedo 4 min de leitura

Quase todo portal de notícias tem um aviso de cookies. Muitos, porém, só têm um botão “Entendi” ou “OK” e uma frase do tipo “ao continuar navegando, você concorda”. Isso não é consentimento, e não atende à Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018, a LGPD).

Este guia reúne o que um banner de cookies precisa ter, com base na LGPD e no Guia Orientativo sobre Cookies e Proteção de Dados Pessoais, que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicou em 2022. Ele não substitui a orientação de um advogado, mas ajuda a enxergar o que costuma estar errado.

Por que portal de notícias precisa se preocupar

Portais costumam carregar muito código de terceiros: estatísticas de audiência, anúncios, pixels de redes sociais, vídeos incorporados do YouTube, publicações do Instagram e do X. Cada um desses serviços pode gravar cookies e coletar dados de quem lê. Quem responde pela coleta perante a lei é o site que os coloca na página.

As sanções da LGPD incluem advertência e multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração, além de publicização da infração. Mas o risco mais imediato é outro: a confiança do leitor.

Os cookies que precisam de consentimento

Nem todo cookie depende de autorização. Os estritamente necessários, sem os quais o site não funciona (segurança, login, lembrar a própria escolha de cookies), podem usar outras bases legais. Já os de estatística, publicidade e de conteúdo de terceiros devem ser ligados só com o consentimento do visitante.

Checklist do banner

  1. Aceitar e rejeitar com o mesmo destaque. O botão de recusar precisa estar na primeira tela, com o mesmo tamanho e a mesma visibilidade do botão de aceitar. Esconder o “rejeitar” numa segunda tela induz a pessoa a aceitar.
  2. Nada marcado por padrão. As categorias opcionais começam desligadas. Caixinha já marcada não é escolha.
  3. Categorias com explicação. Estatística, publicidade e conteúdo de outros sites, cada uma dizendo para que serve, em linguagem simples.
  4. Bloqueio prévio. É o ponto mais esquecido. Os scripts de estatística, anúncios e pixels só podem carregar depois do aceite. Se o Google Analytics já rodou antes de a pessoa clicar, o banner é só decoração.
  5. Vídeos e publicações incorporados. Um vídeo do YouTube ou um post do Instagram dentro da matéria também grava cookies. O certo é mostrar um aviso no lugar, com um botão para carregar.
  6. Informação completa. A política de cookies deve listar o que é usado, para quê, por quanto tempo e quais empresas recebem os dados.
  7. Mudar de ideia a qualquer momento. Um botão sempre visível (ou um link no rodapé) para rever as escolhas. Retirar o consentimento tem que ser tão fácil quanto dar.
  8. Registro do consentimento. Guardar quando e o que a pessoa escolheu, e em qual versão do aviso. É a sua prova se alguém questionar.
  9. Sem “muro de cookies”. Bloquear a leitura para quem não aceita compromete a liberdade do consentimento, segundo o guia da ANPD.
  10. Quem é o responsável. A política deve identificar o controlador e o encarregado de dados, com um canal de contato.

Erros comuns em portais

  • Banner com um botão só (“OK”, “Entendi”, “Fechar”).
  • “Ao continuar navegando, você aceita”: navegar não é consentir.
  • Rejeitar disponível só em “Configurações”, duas telas depois.
  • Scripts de anúncio e estatística carregando antes da escolha.
  • Política de cookies genérica, copiada de outro site, que não lista o que o seu site usa.
  • Nenhuma forma de mudar a escolha depois.

E o Google Analytics?

Dá para medir a audiência respeitando a LGPD. O caminho é carregar o Google Analytics só depois do aceite de estatística e, se usar recursos do Google, configurar o Modo de Consentimento (Consent Mode), que avisa às ferramentas do Google o que a pessoa permitiu. Quem recusa continua lendo normalmente, só não entra na contagem.

Como resolvemos nos portais da fooba.studio

No portal da fooba.studio, isso vem com o Privacidade Foobá, criado aqui: banner com aceitar, rejeitar e personalizar no mesmo peso, categorias desligadas por padrão, bloqueio dos scripts e dos vídeos incorporados até o aceite, registro de cada escolha, botão para rever a decisão e a política de cookies montada a partir do que o site realmente usa. Também atende pedidos dos titulares, como acesso e exclusão de dados, com prazo e protocolo.

Ele faz parte do portal de notícias e aparece entre os recursos da plataforma. Quer ver funcionando? O aviso deste site é o mesmo.

Este conteúdo é informativo e não constitui parecer jurídico. Para casos específicos, consulte um advogado especializado em proteção de dados.

Compartilhar: WhatsApp LinkedIn Facebook X
continue lendo

leia também

Fale com a gente